Servidor revela no STF tentativa de Bolsonaro de associar Lula a crime

No decorrer de um depoimento prestado na última segunda-feira, Clebson Ferreira de Paula Vieira, analista de inteligência vinculado ao Ministério da Justiça durante a gestão de Jair Bolsonaro, revelou que recebeu ordens para coletar informações que ligassem Luiz Inácio Lula da Silva, na época candidato à Presidência, a organizações criminosas. Segundo Vieira, houve um pedido para analisar a relação estatística entre a votação em áreas dominadas pelo Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro e o desempenho de Lula nas eleições.

Demandas e Testemunho

Durante seu depoimento, Vieira confirmou que as solicitações sobre dados eleitorais começaram em 2022, quando a delegada Marília de Alencar, diretora de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça, estava à frente do setor. Ele também revelou que, em uma das solicitações, foi pedido que identificasse os locais onde cada candidato obteve mais de 75% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial, mas, conforme sua afirmação, apenas os dados de Lula foram considerados pela chefia.

O analista mencionou que frequentemente comentava com sua esposa, por meio de mensagens, sobre a chegada de requisições com viés político. Ele expressou à esposa seu desconforto com essas demandas oriundas da diretora.

Ações da Polícia Rodoviária Federal

Outro depoimento significativo foi o de Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que também foi ouvido na mesma data. Alcântara reiterou que houve orientações para um policiamento direcionado durante as eleições de 2022. De acordo com ele, essa estratégia tinha como objetivo a abordagem de vans e ônibus, especialmente em estados como Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, locais de onde muitos eleitores se dirigem ao Nordeste, onde Lula tradicionalmente recebe maior apoio.

As declarações de Alcântara reforçaram as orientações gerais para intensificar a fiscalização naqueles estados.

Contexto da Ação Penal

As testemunhas foram ouvidas no âmbito da ação penal que investiga o Nível 2 da tentativa de golpe, identificado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como responsável por estratégias como monitoramento de opositores e preparação de documentos para apoiar a tentativa de tomada de poder. Este núcleo inclui figuras como Filipe Martins e Marcelo Câmara, ambos ex-assessores de Bolsonaro, juntamente com Silvinei Vasques, Mário Fernandes, Marília de Alencar e Fernando de Sousa Oliveira.

Na tarde de segunda-feira, Mauro Cid, tenente-coronel que atuava como ajudante de ordens de Bolsonaro e que é um delator da operação golpista, foi novamente ouvido. Durante a manhã, a audiência foi conduzida pelo juiz Rafael Henrique Janela Tamai Rocha, que auxilia o ministro Alexandre de Moraes, responsável por essas ações penais.

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